SEO e Política: Por que os politícos ignoram o SEO?

SEO e Política: Por que os politícos ignoram o SEO?

LC
Leo Cruz
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Nos últimos anos, as grandes empresas de tecnologia têm enfrentado um escrutínio público por conta de sua capacidade de influenciar eleições, principalmente após o ocorrido nos Estados Unidos em 2016.

Empresas como o Google precisaram ir ao Congresso dos EUA explicar como seu algoritmo de classificação de sites funciona dado o tamanho do impacto que pode apresentar no processo eleitoral.

E se havia alguma dúvida da importância da busca orgânica na eleição brasileira, ela caiu por terra com a realização dos debates para prefeito nesta quarta-feira (01). Quem acompanhou percebeu o verdadeiro festival de pedidos por "joga no Google". Bom, parece que a audiência correspondeu.

Não foi fornecido texto alternativo para esta imagem

A imagem acima mostra o pico de buscas pelo nome de Marcio França, candidato a prefeito em São Paulo, no momento onde foi pedido que a audiência fizesse uma pesquisa por seu nome + feminicidio. Essas pesquisas fizeram uma matéria de 2018 sobre o assunto ficar entre as mais lidas do Estadão.

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O impacto é obvio, mas parece que os candidatos brasileiros ainda não perceberam que deveriam estar preocupados com SEO. Para entender o tamanho da falta de cuidado com um canal tão importante analisei a qualidade dos sites dos candidatos Guilherme BoulosBruno Covas e Celso Russomano.

Como serão análises extensas, farei um texto por candidato começando por aquele que deveria estar mais preocupado com o que as pessoas estão pesquisando: Guilherme Boulos.

Um leão nas redes sociais, um gatinho no pesquisa

Conhecido ativista do MTST, o candidato psolista luta contra o estigma de invasor de casas perante parcela considerável da classe média paulistana. Pensando na jornada de convencer essa audiência e suavizar sua imagem, seria uma boa estratégia explicar quem ele é e como é feita sua militância.

Antes de falar da importância do posicionamento orgânico, é importante entender qual é a demanda das buscas pelos termos relacionados ao candidato. E aqui ele tem uma boa notícia com a tendência de buscas por seu nome alcançando a máxima histórica.

Dados de tendência de pesquisa pelo nome Guilherme Boulos extraidos da SEM Rush

Como os dados da SEM Rush agrupam buscas feitas no Brasil inteiro e queria entender apenas o interesse da população de São Paulo, passei a utilizar o Google Trends para regionalizar as tendências.

Dados de tendência de pesquisa pelo nome Guilherme Boulos e Bruno Covas extraidos do Google Trends

Os resultados também indicam o aumento do interesse pelo candidato, mas se essa é a boa notícia também pode ser considerada parte da má notícia: o candidato não tem visibilidade orgânica dentro desse universo de pesquisas.

Para entender o problema, faça um teste: procure o nome do ativista ou do MTST no Google e de uma olhada nos resultados. Em ambos os casos apenas o Twitter oficial do candidato pode ser localizado na primeira página.

Print da tela do Google na Busca pelo termo Guilherme Boulos.

Sem ter uma plataforma para receber seu eleitorado em potencial ele perde todas as chances de capturar leads que poderiam ser trabalhados tanto para convencer os indecisos quanto para gerar embaixadores para a campanha.

Nem no head e nem no long tail

Segundo dados da SEM Rush, termos como Guilherme Boulos (93%) e MTST (84%) são difíceis de ranquear, então a melhor estratégia seria focar nos termos long tail. Será que foi esse o caminho escolhido?

Para tentar entender isso escolhi aleatoriamente 100 termos long tail relacionados ao nome do candidato, ao MTST, as eleições municipais e temas que são importantes para sua pauta como machismoracismo e direito à moradia e subi na SEM Rush para que ela apontasse a visibilidade do que parece ser seu site oficial (que encontrei com muita dificuldade!).

Gráfico de visibilidade orgânica extraido da SEM Rush.

Os termos escolhidos possuem mais de 167 mil pesquisas mensais e dificuldade média de ranqueamento de 67%. Um caminho bem menos complicado do que o dos termos head, mas ainda nenhuma visbilidade.

Na verdade, o problema é ainda maior, pois o site não aparenta possuir relevância orgânica para praticamente nenhum termo.

Dados de ranqueamento do domínio extraído da SEM Rush que mostra posicionamento orgânico para apenas um termos.

O impacto disso é imensurável, já que além de não poder participar de momentos de topo e meio no processo de decisão de um voto, o candidato ainda terá problemas para contar uma versão de sua própria história. Se há dúvidas de que isso é um problema, vamos analisar o crescimento do volume de buscas por termos relacionados a “Boulos + Invasor”.

Tendência de buscas pelo termo Boulos Invasor que mostra o crescimento das buscas.

Desde que saíram os resultados da primeira pesquisa para prefeito em São Paulo, essas buscas dispararam. E para azar do candidato, quem responde a essas pesquisas são sites como Veja, Folha de São Paulo, Senso Incomum, Gazeta do Povo etc.

A deficiência no ecossistema do candidato é grande o suficiente para não ser resolvida a tempo de impactar essa eleição. Se candidatos como Boulos, sem apoio do establishment e com pouco tempo de televisão, quiserem alcançar mais pessoas precisam pensar que existe um mundo fora das redes sociais.

Ele ou qualquer outro candidato que pretende concorrer nas próximas eleições deveria entender que não ter uma plataforma construída seguindo as boas práticas de SEO é ignorar a óbvia importância da busca orgânica no processo de escolha de um candidato.

E para fechar esse texto, a pergunta que não quer calar: você conhece algum candidato fazendo um bom trabalho na busca orgânica

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